Brasil inaugura supercomputador Jaci e avança no Plano Nacional de IA
IA & Brasil//23 JUN 2026

Brasil inaugura supercomputador Jaci e avança no Plano Nacional de IA

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O MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) e o INPE inauguraram o supercomputador Jaci em Cachoeira Paulista — o primeiro passo do projeto RISC, que planeja modernizar a infraestrutura computacional do instituto até 2028. O Jaci substitui o Tupã e dobra a capacidade de processamento disponível para previsão climática, pesquisa e IA.

O movimento faz parte de um quadro maior. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028, lançado pelo MCTI, aloca mais de R$ 5 bilhões para infraestrutura e desenvolvimento de IA ao longo de quatro anos, com previsão de figurar entre os cinco supercomputadores mais poderosos do mundo. Em paralelo, o LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica) está atualizando o Santos Dumont de 5,1 para entre 22 e 25 petaflops.

O que está em jogo

Para o Brasil, a corrida não é de prestígio acadêmico — é de soberania tecnológica. Quem treina e infere modelos grandes em território nacional mantém dados estratégicos dentro de fronteiras, reduz dependência de cloud estrangeira e cria cadeia de valor local em IA.

O contexto geopolítico pesa. Com os Estados Unidos endurecendo controles de exportação de chips e modelos (como vimos com a retirada dos modelos Claude Fable 5 da API global), país que tem infraestrutura própria tem mais opções. É a diferença entre depender de acesso e ter capacidade real.

O que ainda falta

O Jaci é climatologia e pesquisa acadêmica — não IA generativa corporativa. Para o Brasil ter cluster competitivo para treino de modelos grandes, o passo necessário é diferente: GPUs em escala (H100/Rubin), cooling líquido em datacenter moderno e parcerias com fabricantes.

A boa notícia é que o ecossistema está se montando. Data centers estrangeiros estão chegando com investimentos bilionários. O desafio é garantir que essa infraestrutura sirva a interesses nacionais, não só a demanda de multinacionais.

A perspectiva local

A 10Dobro opera em São Luís-MA — e sentimos no bolso a latência de não ter infraestrutura de cloud de fronteira no Norte/Nordeste. Treino fica nos EUA. Inferência vai para região mais próxima disponível. Quem tem projeto de IA com dado sensível (saúde, governo, agronegócio) esbarra na pergunta: onde isso roda com segurança e custo aceitável?

O PBIA é um bom passo. Mas o Brasil não vai de R$ 5 bilhões ao top 5 mundial de infra de IA em quatro anos — precisa ser honesto sobre o que é possível no prazo.

BH
AI Engineer · Diretor de Fotografia · CEO 10Dobro Prod

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