Noam Shazeer, coautor do Transformer, deixa o Google pela OpenAI
IA & Mercado//22 JUN 2026

Noam Shazeer, coautor do Transformer, deixa o Google pela OpenAI

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Noam Shazeer voltou a trocar de casa. Coautor do paper que criou o Transformer e, mais recentemente, VP de engenharia da divisão Gemini do Google, ele anunciou a saída para a OpenAI, onde assume como líder de pesquisa de arquitetura. A notícia chama atenção não pela cadeira que ele ocupa, mas pelo que ele desenha. Shazeer assina algumas das peças que sustentam quase todo modelo de linguagem grande em operação hoje.

Quem é Noam Shazeer

Shazeer é um dos oito autores de "Attention Is All You Need", o artigo de 2017 que apresentou o Transformer e abriu o caminho técnico para os LLMs atuais. A lista de contribuições dele vai além desse paper. Trabalhou em Mixture of Experts, técnica que ativa só parte de um modelo gigante por vez, e em Multi-Query Attention, que reduz o custo de memória na hora de gerar texto. São escolhas de arquitetura, não detalhes de implementação. Elas mudam o que um modelo consegue rodar e a que preço.

Quando se fala em "o modelo melhorou", boa parte do mérito está em decisões desse tipo, tomadas anos antes, por gente que projeta a estrutura por baixo do treinamento.

A conta que as reportagens noticiaram

O movimento ganha peso pelo histórico recente. Shazeer havia deixado o Google para fundar a Character.AI. Segundo reportagens do setor de tecnologia, o Google pagou cerca de US$ 2,7 bilhões em 2024 para trazê-lo de volta, num acordo que incluiu licenciar a tecnologia da Character.AI e reintegrar o time. Ainda segundo essas reportagens, ele ficou menos de 22 meses na nova passagem antes de anunciar a ida para a OpenAI.

Os números são de reportagens, não da 10Dobro nem de comunicado oficial das empresas. Vale o registro: cifras de aquisição e prazos de permanência costumam variar entre fontes e podem ser ajustados depois. O que se confirma com clareza é o sentido do movimento. Um nome central da arquitetura de IA mudou de lado outra vez.

O que isso diz sobre o mercado

A leitura fácil é "guerra por talento". É verdade, mas é raso. O ponto técnico é mais útil para quem decide.

Modelos de fundação estão ficando parecidos em capacidade bruta. O que separa um sistema bom de um sistema médio migrou para outras camadas: como a arquitetura é desenhada, como o modelo é treinado e ajustado, e como ele é integrado a uma operação real. Empresas disputam pessoas como Shazeer porque a vantagem competitiva mora cada vez mais no projeto do sistema, não só no tamanho do modelo. Quem desenha a estrutura define o teto do que o produto consegue entregar.

Para o gestor que avalia adotar IA, fica uma lição prática. O modelo é commodity em ascensão. A diferença está em quem integra, em como o sistema conversa com seus dados e seu fluxo de trabalho, e em quem responde quando algo quebra.

Onde isso encosta no nosso trabalho

Na 10Dobro a tese é a mesma, em escala menor e sem holofote bilionário: o diferencial não é só o modelo, é quem desenha o sistema e como ele entra na operação. Usamos os modelos disponíveis no mercado, mas o valor está na arquitetura em volta deles, nos checkpoints humanos e na integração com o fluxo real do cliente.

É por isso que falamos em multiplicar o que uma equipe boa já entrega, não em substituí-la. Os mesmos modelos estão disponíveis para todo mundo. O que muda o resultado é a mão que projeta o sistema e a régua de dados que o sustenta. A troca de casa de Shazeer é um lembrete caro disso: talento e arquitetura movem o mercado, mais do que o nome do modelo na caixa.

BH
Ben-Hur Real
Verificado · 10Dobro Prod

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